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Geral

Sem Segredo: falta de caráter e leis frouxas levam pessoas a se aproveitarem de situações para tirar vantagem

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Nas últimas semanas foram inúmeras as notícias denunciando casos em que respiradores foram comprados superfaturados e milhares de pessoas receberam o auxílio emergencial sem necessidade. Estamos falando de corrupção que envolve desde o cidadão mais comum até altas autoridades.

Por isso, o Sem Segredo deste sábado (11) perguntou o que leva uma pessoa a se aproveitar de situações como a pandemia para tirar vantagem. Participaram do programa a procuradora da República, Letícia Carapeto Benrdt, o procurador do município, Adolfo Freitas, o psiquiatra Erico Heckteuer e o promotor de Justiça, Álvaro Póglia.

Para a maioria dos ouvintes, a falta de caráter e leis frouxas levam pessoas a se aproveitarem de situações como a pandemia para tirar vantagem. Segundo eles, com leis não tão brandas no Brasil, virou algo comum ser corrupto e dar golpes, ir para a cadeia e logo sair. Outro ponto destacado pelos ouvintes é de que vai da consciência de cada um o que é certo ou errado e ser corrupto é coisa de pessoa mau-caráter.

Ouça o que disseram os ouvintes:

A procuradora da República, Letícia Carapeto Benrdt, declarou que a corrupção é uma questão da natureza humana. Explicou que o papel do Ministério Público no combate a ilicitudes, principalmente em meio a pandemia do coronavírus, é investigar possíveis golpes e ter equipes qualificadas para tomar as providências adequadas em relação a essas questões. Ressaltou também o importante papel da polícia na ajuda ao combate a corrupção. Em relação a Passo Fundo, a procuradora disse que estão sendo averiguadas as verbas recebidas do Governo Federal para o combate contra a covid-19.

De acordo com ela, foram quase R$ 2 milhões recebidos nos últimos meses. Agora, cabe ao MP avaliar como foram aplicados esses recursos, se de forma adequada, e para isso é preciso transparência. Letícia disse que, para fazer essa avaliação, o site da prefeitura precisa levar todas as informações necessárias para informar, não só o Ministério Público, mas também a população em geral. Segundo ela, essa questão está aquém do desejado e com informações não muito acessíveis.

Ouça o que disse a procuradora da República, Letícia Carapeto Benrdt:

O procurador do município, Adolfo Freitas, disse que discorda das declarações da promotora, já que o portal da transparência do site da prefeitura foi premiado e tem lá todas as informações que a população precisa. Segundo o procurador, existe no portal um link especifico com todas as compras feitas pelo município.

Sobre os valores repassados para ajuda no combate ao coronavírus, ele ressaltou que não existem atos fora da lei. Disse que vivemos momentos de excepcionalidade, onde tudo acontece de forma muito rápida, o que pode fazer com que alguma informação passe batido, porém, o suficiente para todos ficarem muito bem informados está disponível e pode ser acessado.

Ouça o que disse o procurador do município, Adolfo Freitas:

O psiquiatra Erico Heckteuer declarou que choca ver o descaso que é feito com o dinheiro público no Brasil. Segundo ele, isso é explicado porque algumas pessoas têm ideia de que o tesouro nacional não é de ninguém. Heckteuer disse que a corrupção está em cada um de nós quando elegemos políticos corruptos, por exemplo, e parece que quem é ético e correto é visto como trouxa.

O psiquiatra explicou que no Brasil vemos uma elasticidade dos valores, como se um pequeno delito ou desvio não tivesse problema e fosse algo aceitável ou normal. De acordo com Heckteuer, é comum e habitual do brasileiro desculpas esfarrapadas, coisas que ficaram impregnadas e fizeram com que o Brasil ficasse mal visto no exterior, inclusive. Para o psiquiatra, a sociedade está falhando no aspecto de honestidade, o que faz com que as pessoas realizem esse tipo de delito de corrupção.

Ouça o que disse o psiquiatra Erico Heckteuer:

O promotor de Justiça, Álvaro Póglia, disse que não existe corrupção sem a pessoa ser também corrompida. Explicou que o grande freio inibidor de atos como estes não é a pena legal, a punição da lei, que não é isso que vai impedir uma pessoa de ser corrupta, mas sim a educação, o caráter moldado em casa, na família e desenvolvido ao longo da vida.

Falando sobre a fraude do auxílio emergencial, onde há empresários que claramente não teriam direito, mas pediram e receberam o benefício, o promotor alertou que o Governo Federal deveria agir cruzando dados e verificando cada uma das solicitações justamente para impedir fraudes. Alertou que estes empresários estão sonegando impostos ao informar ao governo uma realidade diferente e isso deve ser investigado e punido. Se não for com reclusão, que seja através de multas e pelo bolso, avaliou.

Ouça o que disse o promotor de Justiça, Álvaro Póglia: