Mudança de hábitos de higiene será realidade pós-pandemia
“Nunca lavei tanto as mãos como nos últimos 70 dias e tenho dois calçados, um para usar na rua e outro pra dentro de casa”. O depoimento foi dado pelo ouvinte do Programa Sem Segredo na manhã do último sábado (06). Ari Salvatori, 68 anos, traduziu o que a maioria dos ouvintes do programa acreditam sobre mudança de hábitos pós pandemia do Coronavírus. As pessoas devem incorporar boa parte das práticas de higienização e também de distanciamento social.
A médica infectologista do Hospital de Clínicas de Passo Fundo, Vanessa de Oliveira disse que estes hábitos, incluindo o uso de máscara, podem estar no cotidiano das pessoas, mesmo quando a Pandemia passar. Usar máscara quando estiver gripado ou com alguma doença viral já é uma prática em países asiáticos, que pode ser adotado por aqui. De outro lado, não há comprovação de que deixar o calçado usado na rua fora de casa seja eficiente contra o coronavírus, mas a prática ajuda na higienização da casa e também na dissipação de partículas que podem contaminar especialmente animais domésticos. Sobre as compras do supermercado, e aconselhável que ao chegar em casa, os produtos sejam higienizados, especialmente frutas e hortaliças.
Práticas no comércio
O comércio foi obrigado a se adaptar para atender aos seus clientes, oferecendo álcool em gel, limitando número de pessoas no estabelecimento e não permitindo que se prove roupas. A presidente do Sindilojas, Sueli Marini, assegura que muitas destas medidas serão incorporadas pelos empresários que investem em equipamentos como termômetros para medir a temperatura corporal dos clientes e em vaporizadores verticais para higienizar as roupas que serão experimentadas pelos clientes. Sobre esse tema, alguns ouvintes disseram que o melhor é adequar a compra pelo tamanho da roupa. Mas outros tem dúvidas sobre qual a melhor forma de garantir a higienização das roupas depois de compradas. Lavar, passar, borrifar com álcool ou mesmo deixar a peça no sol e ao ar livre são algumas recomendações de especialistas.
Manter o equilíbrio
O psiquiatra Érico Hecktheuer disse que esse momento que estamos vivendo provoca inevitavelmente mudanças na sociedade. Não só de hábitos de higiene, mas também nas relações educacionais, profissionais. “ A gente vê a tecnologia avançando na forma como as crianças e jovens serão educados, por exemplo”, disse. O assustador, segundo ele, é que a gente não mantém o controle de muitas coisas e por isso o importante é que possamos ter tranqüilidade e saber da nossas fragilidades. Para o psiquiatra como tudo na vida, algumas pessoas sairão mais fortes e outras mais fragilizadas. Maníacos por limpeza, por exemplo, podem ficar mais ainda e inclusive não querer sair de casa com medo de se contaminar com qualquer outra coisa. Na opinião do especialista, são transtornos que já acompanham as pessoas e que podem se acentuar. A medida é sempre manter o equilíbrio na visão de Hecktheuer.
As festas
Mas há aqueles que ou não cumpriram as medidas de isolamento social ou cansaram de ficar longe dos amigos e parentes e agora dão trabalho para a fiscalização do município. As medidas de distanciamento determinadas por decretos estadual e municipal por conta da pandemia do coronavírus estão em pleno vigor. No entanto, segundo o secretário municipal de Segurança Pública, centenas de denuncias de festas familiares têm chegado a secretaria. O bom disso tudo é que não há reação contra a fiscalização e normalmente as pessoas entendem que precisam parar. Mas a maior preocupação é com os idosos. Muitos continuam circulando sem necessidade pela cidade e em alguns casos sem o uso de máscara. Importante lembrar que os idosos tem horários especiais de atendimentos em diversos estabelecimentos e que se, possível, devem ficar em casa.