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Coronavírus: obrigado a quem se arrisca por nós

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
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A pandemia de coronavírus que assola o Planeta neste ano de 2020 nos coloca diante de dilema extraordinário: para manter e garantir a vida para muitos é necessário que muitos arrisquem as suas próprias vidas.

De um lado, como forma de enfrentar a doenças e reduzir ao máximo o número de vítimas fatais, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e os governantes sensatos – seguindo orientações dos especialistas na área médica – aconselham e insistem no isolamento social.

Fiquem em casa, é a palavra de ordem que ressoa nos cinco continentes. Mas, ao mesmo tempo, e numa aparente contradição, para que os resultados desejados com esse isolamento sejam alcançados centenas de profissionais dos
mais diferenciados setores, são instados a arriscarem a própria vida.

Simples assim: alguém deve colocar sua vinda em risco para manter a minha. Não pode ser diferente em sociedade complexa, globalizada e interdependente como a que vivemos neste século. As vezes nem temos noção de quantos dependemos dos outros para nossa subsistência. A estrutura que envolve indústria, comércio, agropecuária e serviços não é outra coisa do que o sustentáculo do mundo.

Em hospitais, postos de atendimento, clinicas, unidades de saúde, médicos, enfermeiros, atendentes, recepcionistas, auxiliares diversos atuando em vários tipos de serviços enfrentam de frente a doença. Não há outra saída: a vida de
quem chega contaminado depende deles colocarem suas próprias vidas em risco.

O policial militar, o policial civil, o agente de trânsito, o agente penitenciário, o vigilante, o porteiro não pode ficar em casa, assim como não fica confiado o motorista de ambulâncias, de táxis, de ônibus intermunicipal, de ônibus urbano e os cobradores; muito menos os motoristas de transporte de carga – as estradas, por onde circulam alimentos, remédios, produtos e equipamentos em geral são como nosso sistema circulatório, ou seja, se os caminhões pararem entramos em colapso. Nem cessam de nos abastecer os aeroportos, os portos e estações de trens.

Não pode parar quem ordenha a vaca e nos envia o leite, quem alimenta e abate gado, porcos, frangos, quem planta e colhe os alimentos (arroz, feijão, cenoura, batata, banana…) quem processa, embala, armazena e se move para
colocar tudo ao nosso alcance em prateleiras de mercados, fruteiras, farmácias, açougues padarias. E quantos profissionais trabalham nesses estabelecimentos, deixando a segurança do confinamento, para nos atender e, assim, garantir nosso bem-estar?

Quem cuida da limpeza urbana coletando e dando destino ao lixo, quem atua na captação, tratamento e distribuição de água, na geração, transmissão e distribuição de energia elétrica e gás está longe do isolamento. Nessa lista infindável cada um de nós pode incluir, de acordo com sua experiência de vida cotidiana, incontáveis profissionais que vão desde tele entrega/delivery de alimentos, serviços postais, vigilância sanitária, fiscalizações em geral, serviços de guinchos a serviços funerários… Nisso, claro, se incluem os jornalistas, radialistas, repórteres, redatores, comentaristas de rádio, televisão, revistas e jornais que também não podem ficar paralisados, eis que informação também é vital para manter a vida!

Homens e mulheres de mais de uma centena de profissões – arriscando a própria vida – integram a estrutura que precisa funcionar para que milhares de outras vidas possam ser mantidas em plenitude. É a esses profissionais que expressamos, neste momento tão difícil, complexo, doloroso e assustador por que passa a humanidade, nosso muito obrigado pelo que fazem por nós arriscando a saúde e a vida. Sabemos que totalidade nem espera algum tipo de agradecimento, eis que partem do princípio que estão cumprindo com suas missões, mas expressar nossa gratidão e nosso reconhecimento é um modo de a todos prestar singela homenagem e respeitosa reverência. Obrigado a todos!

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