No Sem Segredo, maioria dos ouvintes afirma que a prioridade deve ser nos cuidados com a saúde
O mundo vive a pandemia do coronavírus e pelo menos 60 países estão fazendo quarentena. O Brasil também está nesse processo por determinação de governadores e prefeitos. No entanto, o pronunciamento do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, na última semana, defendendo a quarentena apenas para grupos de risco, o oposto realizado por prefeitos e governadores e o indicado por autoridades sanitárias, gerou polêmicas e dúvidas entre a população. O principal argumento do presidente é quanto a situação econômica e a crise que isso trará para o sistema econômico brasileiro.
Mesmo com a manifestação contrária, prefeitos e governadores não mudaram seus posicionamentos e determinaram a manutenção das restrições. Não há consenso sobre as medidas e ficamos nos perguntando o que deve ser prioridade neste momento: saúde ou economia? Essa foi a pergunta do Sem Segredo do último sábado (27). Participaram do programa o vice-presidente da Acisa, Cássio Roberto Gonçalves, e o diretor médico do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), Dr. Adroaldo Mallmann.
A maioria dos ouvintes defendeu que a prioridade deve ser com os cuidados com a saúde. Porém, para alguns, a economia sempre estará a frente, pois para eles, quem manda no país são os empresários e os trabalhadores não tem escolha. Ouvintes afirmaram que a balança da desigualdade é muito grande no Brasil. Afirmaram que preferem que a economia sofra do que centenas de trabalhadores morram com o vírus. Ouvintes classificaram como coação o que alguns empresários estão fazendo em obrigar as pessoas escolher entre a vida e os empregos.
Ouça o relato dos ouvintes:
O diretor médico do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), Dr. Adroaldo Mallmann, disse que o Ministério da Saúde trabalha com pesquisas que mostram que, se o isolamento social não for feito, mais de 50% da população será infectada.
Conforme o diretor, isso representaria, em Passo Fundo, cerca de 100 mil pessoas, sendo que cerca de 20 mil precisariam se hospitalizar e 5%, ou seja, cerca de mil pessoas, entrariam em óbito. Contudo, com isolamento social, as taxas diminuem.
Mallmann disse que o isolamento traz aos hospitais uma forma de se prepararem para fazerem um atendimento adequado quando necessário. Afirmou que os hospitais estão preparados para receberem os pacientes quando o pico da doença chegar, o que deve acontecer nos próximos dez dias.
Segundo o médico, se o comércio for aberto em Passo Fundo, acredita-se que no máximo em dez dias a saúde no município estaria em um caos. Ele lembrou que muitas pessoas podem estar infectadas e nem apresentarem sintomas e podem, com isso, estarem infectando pessoas mais próximas. O diretor disse que entende a importância da economia, no entanto, defendeu que ela pode ser recuperada e vidas não.
Ouça a entrevista com o diretor médico do Hospital São Vicente de Paulo, Dr. Adroaldo Mallmann:
O vice-presidente da Acisa, Cássio Roberto Gonçalves, defendeu que é preciso existir um bom senso entre as entidades de classe, empresários e governo. Afirmou que o risco econômico existe, assim como existe no dia a dia normal do empresário. Falou que, para a classe empresarial, é importante discutir, propor e entender que é necessário trabalhar para que a estrutura não quebre.
Gonçalves disse que, em um primeiro momento, a Acisa procurou entender o cenário do decreto, se organizar e orientar seus associados dos caminhos a seguir. Declarou ainda que, após isso, a instituição procurou outras entidades da cidade para também fazer uma avaliação do cenário e assim apresentar as ideias e desejos da classe empresarial. Falou que uma das possibilidades seria propor uma abertura gradativa das atividades na cidade.
Ouça a entrevista com o vice-presidente da Acisa, Cássio Roberto Gonçalves:
O representante do Grupo de Empresários Unidos por Passo Fundo, Itamar Basso, também participou ao vivo do programa e disse que a primeira coisa que foi constatada pelo grupo foi que Passo Fundo, ao constituir o comitê de crise, olhou exclusivamente para a saúde, sem olhar para os efeitos colaterais das decisões. Disse que a primeira proposta do grupo é que se amplie o debate. Basso afirmou ainda que não é uma questão de escolha de saúde ou economia, mas sim, de pensar nas consequências das posições drásticas que estão sendo adotadas.
A segunda ação defendida pelo grupo é que Passo Fundo possua um plano estratégico do que fazer e como fazer se esse sistema mudar. Disse também que ninguém está falando em acabar o isolamento sem pensar nas consequências, sem preservar a saúde e sem tomar os cuidados necessários.
Ouça a entrevista com o representante do Grupo de Empresários Unidos por Passo Fundo, Itamar Basso: