Sem Segredo: maioria dos ouvintes diz ser contrária ao pacote do Governo Eduardo Leite
O Governo do Estado espera começar a votar amanhã (17) o pacote que muda o plano de carreira e a aposentadoria dos servidores públicos, dentro da Reforma Administrativa. Desde que foi apresentado, no mês de novembro, na Assembleia Legislativa o projeto tem gerado polêmica entre os servidores. Várias categorias, desde então, entraram em greve por discordarem da proposta. Você acha que a greve e as manifestações previstas para acontecer em frente ao parlamento gaúcho devem influenciar na votação dos projetos?
Por isso, o Sem Segredo do último sábado (14) perguntou se os ouvintes apoiam a greve dos servidores estaduais. Participaram do programa o diretor do 7º Núcleo do CPERS Sindicato, Guido Lucero, o economista e assessor da bancada do PSDB na Assembleia Legislativa, José Nosvitz, e, por telefone, os deputados estaduais Gilberto Capoani (MDB), Mateus Wesp (PSDB) e Sérgio Turra (PP).
A maioria dos ouvintes disse que não concorda com o pacote que está em discussão. Eles defenderam ainda uma maior discussão do governo com a sociedade gaúcha.
O diretor do 7º Núcleo do CPERS Sindicato, Guido Lucero, disse que o governo não chamou os sindicatos, somente os deputados para agradá-los e conseguir aprovar a matéria. Sobre a nova proposta que foi apresentada nos últimos dias, o diretor disse que é novo, mas do mesmo. Explicou que mesmo aplicando esse novo plano o governo irá economizar mais de R$ 150 milhões em cima dos triênios. Para o diretor, o governo está prometendo aumento tirando do próprio bolso dos servidores. Segundo Lucero, a modificação feita pelo governo foi para que a base se sinta confortável para votar e aprovar o texto. Sobre as promoções, o diretor disse que o pacote fala na possibilidade, mas não esclarece quando e nem como elas irão acontecer.
O economista e assessor da bancada do PSDB na Assembleia Legislativa, José Nosvitz, disse que a reforma que o governo está propondo é de extrema necessidade para o Rio Grande do Sul. Destacou que atualmente 82% da arrecadação do estado é para pagamento da folha de servidores ativos e inativos. Para Nosvitz, a situação do Estado é calamitosa e essa reforma já deveria ter acontecido há muitos anos atrás. Ele disse que o projeto foi encaminhado para a Assembleia para que assim fosse feita uma discussão sobre o tema com toda a sociedade.
O deputado estadual Sérgio Turra (PP) disse que a votação é factível e defendeu que seja feita uma construção conjunta entre as bancadas da base aliadas para que efetivamente vá ao plenário. Para o deputado, a pressão que vai acontecer entre os sindicatos no dia da votação é positiva para a construção de algo que é importante e que melhore para todos os servidores. No entanto, Turra disse também que, na sua opinião, as manifestações e pressões que vão acontecer nesta semana não devem mudar os rumos da votação do pacote.
O deputado estadual Mateus Wesp (PSDB) disse que a tese de quem está pagando com a crise do Estado é os servidores é mentirosa. Wesp disse que quem paga essa conta é o cidadão gaúcho com serviços precários. Para o deputado, um estado que utiliza 82% dos recursos para pagar 300 mil servidores e apenas 18% para investimentos não pode estar correto. O parlamentar defendeu também que essa reforma já deveria ter sido feita em outros governos.
O deputado estadual Gilberto Capoani (MDB) disse irá analisar hoje (16) ao meio dia a posição da bancada ao pacote. Segundo o deputado, um almoço acontecerá com a equipe técnica e as 18h30 uma audiência com o governador levará a posição do MDB. Capoani lembrou que semanas atrás a própria bancada já havia anunciado que votaria contrária ao projeto do magistério, no entanto, uma nova proposta foi apresentada pelo governador.