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Religião

Sem Segredo: maioria dos ouvintes acredita que santos populares podem fazer milagres

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Santos populares são aqueles cultuados pelo povo, tanto os reconhecidos pela igreja, como os que surgem pela devoção popular. É o caso de Maria Elisabeth e agora também do menino Bernardo Boldrini, que nas últimas semanas teve diversas bençãos atribuídas ao seu nome, de pessoas que relataram ter recebido as bençãos após orarem ao menino. Já Maria Elizabeth ficou conhecida porque teria previsto sua morte em um acidente em Passo Fundo e, anos após seu falecimento trágico, muitas pessoas começaram a atribuir a ele graças alcançadas, transformando-a em santa popular. Por isso, o Sem Segredo deste sábado (30) perguntou se os ouvintes acreditam que santos populares podem fazer milagres. Participaram do programa a historiadora e coordenadora do Arquivo Histórico Regional, Gisele Zanotto, e o pároco da Igreja Nossa Senhora da Conceição, Cassiano Pertille.

A maioria dos ouvintes é devota a santos populares e acredita que eles podem fazer milagres. Muitos testemunharam casos pessoais e afirmaram que é preciso ter fé para que os milagres aconteçam.

A historiadora e coordenadora do Arquivo Histórico Regional, Gisele Zanotto, declarou que, do ponto de vista histórico, os apelos que levam pessoas a acreditarem em santos populares, são, em parte, com casos de martírios, quando a pessoa sofre antes de morrer. Casos como os do menino Bernardo e de Maria Elisabeth, por exemplo. Segundo a historiadora, essa identificação aflora um sentimentalismo no ente, que depois passa a ser considerado santo popular. Segundo ela, o movimento de santos populares é intenso e contínuo, o que torna difícil o mapeamento de conteúdo, já que não param de surgir mais informações. De acordo com Gisele, mesmo alguns conseguindo uma publicidade maior, existem outros santos populares com cultos menores mas, que ainda sim, são importantes. No mapeamento provisório do Arquivo Histórico Regional, a historiadora apontou três santos populares de Passo Fundo: um deles é a Maria Elisabeth, o caso mais popular, e o outro é o da Maria Pequena, que seria o caso mais antigo; o terceiro caso, ainda pouco abordado, seria o de uma mulher negra que, no passado foi escravizada e se chamava Sabina Farias. De acordo com Gisele, em visitas ao túmulo de Sabina, foram observados muitos objetos que parecem ser de práticas a entidades sábias da Umbanda, chamadas “pretas velhas”, o que faz com que mais um caso em Passo Fundo possa ser considerado como de santos populares.

De acordo com o pároco da Igreja Nossa Senhora da Conceição, Cassiano Pertille, santos populares sempre surgem a partir da mobilização do próprio povo, que vê uma virtude que chama atenção em algumas pessoas, seja em vida, através de um ato heroico, ou que se manifesta ao longo do tempo. A partir desses elementos, os próprios devotos começam a elaborar seu processo de culto de manifestação e, normalmente, esse processo surge paralelo a igreja, que só depois de um certo tempo começa a incorporar o processo ou emite orientações aos fiéis. De acordo com o padre, apenas após todo esse processo que é aberto o procedimento de beatificação da igreja. Todo um trabalho de coleta de materiais é feito para que, a partir dali, seja montado um dossiê que futuramente será encaminhado ao Vaticano para análise. Segundo o pároco, o processo é muito demorado para a igreja reconhecer um santo devido ao fato de que a investigação em torno da pessoa precisa ser muito bem apurada, com informações da vida em todas as dimensões, da esfera privada à pública, buscando informações em todos os âmbitos.