Presidente do Peru apresenta renúncia após suposta compra de votos de seus aliados em troca de obras
Pedro Pablo Kuczynski (PPK) apresentou nesta quarta-feira (21) ao Congresso sua renúncia à presidência do Peru.
A decisão pela renúncia ocorre um dia antes de o Congresso discutir uma moção de destituição, em meio a uma crise presidencial marcada por vídeos divulgados pelo Partido “Fuerza Popular” que mostram uma suposta compra de votos de seus aliados em troca de obras.
De acordo com a agência Efe, Kuczynski deixará o cargo assim que sua renúncia seja aceita pelo Congresso. Ele deverá ser substituído pelo vice-presidente Martín Vizcarra.
O jornal “La Republica” informa que a decisão foi tomada em uma reunião do Conselho de Ministros realizada nesta terça.
Vídeos
Kuczynski teria uma segunda moção de destituição contra sua administração julgada pelo Legislativo nesta quinta-feira. O pedido foi motivado por vídeos que o implicavam na compra de votos a seu favor na primeira votação.
Em um dos vídeos, o congressista Kenji Fujimori, irmão de Keiko e aliado do governo depois que Kuczynski outorgou indulto ao seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, comenta ao legislador Moisés Mamani, do partido opositor “Fuerza Popular” que quem votasse à favor da vacância do presidente teria as portas fechadas.
Em outra gravação, o funcionário do governo Freddy Aragón explica a Mamani que ele poderia ganhar muito dinheiro em projetos de infraestrutura se ficasse ao lado do oficialismo.
Moções de destituição
Em dezembro, o Congresso analisou uma primeira moção de destituição por denúncias de que a empreiteira brasileira Odebrecht havia pago propinas à empresa de consultoria de Kuczynski e rejeitado seu afastamento.
A oposição precisava de 87 votos a favor do impeachment para que Kuczynski deixasse o cargo, mas conseguiu apenas 78. Outros 19 congressistas votaram a favor de sua permanência, e 21 se abstiveram. Entre os que se abstiveram estão alguns congressistas de esquerda, críticos do governo e que haviam aprovado o debate de impeachment. Além disso, membros-chave do fujimorismo não apoiaram a saída de PPK.
A oposição passou a pressionar para que PPK deixe o cargo depois da denúncia de que a construtora brasileira Odebrecht pagou mais de US$ 782 mil a sua empresa de consultoria, a Westfield Capital, por consultorias entre 2004 e 2007, período em que Kuczynski era ministro no governo peruano.
Kuczynski sempre negou as acusações e disse que o processo foi baseado em uma mentira. Ele explicou que foi seu sócio, o chileno Gerardo Sepúlveda, quem assinou e geriu um contrato de assessoria financeira da Odebrecht e que ele nunca soube do mesmo porque levantou uma “muralha chinesa” para distanciar-se da atividade privada de sua companhia. A Odebrecht respaldou suas explicações, dizendo que os pagamentos foram legais e gerenciados com Sepúlveda.
Odebrecht no Peru
O caso Odebrecht, o maior escândalo de corrupção da América Latina, afeta quase todo o primeiro escalão da política do Peru pelas milionárias propinas pagas pela construtora entre 2005 e 2014 para obter grandes contratos em obras públicas, além de financiar as campanhas eleitorais dos principais candidatos.
Funcionários da Odebrecht admitiram na Justiça que a empresa também contribuiu em 2006 e 2011 para a campanha de vários políticos peruanos, incluindo Kuczynzki, um empresário de direita de 79 anos, bem como à chefe do Força Popular, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente.
*G1