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Política

Sem Segredo: ouvintes pedem autonomia das escolas e reclamam da burocracia do Governo

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Semana passada, alunos e professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental Lucille Fragoso de Albuquerque, no bairro Vera Cruz, realizaram manifestação em frente à instituição devido ao descaso com a rede elétrica. Em dias de calor, os ventiladores não podem ser ligados nas salas de aula porque existe o risco da rede elétrica pegar fogo. Mas a situação da Lucille Fragoso de Albuquerque não é um caso isolado.

 

Segundo dados da Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul, 90% das instituições estaduais apresentam problemas na rede elétrica. A maioria é incapaz de suportar equipamentos como ar-condicionado. Em fevereiro, o governo do Estado anunciou obras em caráter emergencial, com reforma da parte elétrica, para as escolas Ernesto Tochetto, Antonino Xavier e Oliveira, EENAV, Gervásio Lucas Annes, e Escola de Ensino Fundamental Bela Vista. Os serviços já foram iniciados na Ernesto Tochetto e as demais estão em fase de finalização da licitação.

 

Em uma tentativa de resolver toda a demanda do Estado, a Secretaria fez uma parceria com algumas universidades, entre elas a UPF, para que estudantes de engenharia desenvolvam projetos para suprir esses problemas. Por isso, o Sem Segredo desta semana abordou os motivos do governo não conseguir resolver rapidamente problemas tão urgentes nas escolas, como, por exemplo, estes de fiação elétrica.

 

A opinião dos ouvintes ficou dividida entre duas pautas: a autonomia das escolas em resolverem os problemas e a burocracia que envolve os projetos do governo. Alegam que, devido a grande demora das autoridades tomarem uma atitude, as redes de educação devem ter a liberdade de resolver o problema por conta própria, com, por exemplo, arrecadação de verbas através de rifas, eventos, etc. A demora em resolver o problema, além do alto preço gasto em reformas relativamente simples, também fizeram com que alguns ouvintes se mostrassem cansados com toda a burocracia em torno destes projetos.

 

Segundo o Coordenador Regional de Educação, Elton De Marchi, a coordenadoria não tinha engenheiro elétrico até semana passada. Como a demanda de escolas em situação precária é grande, uma avaliação precisa ser feita com todas elas, onde projetos serão criados para se ter uma ideia do que é preciso ser feito para resolver os problemas. Ao todo, são 38 escolas no município, sendo que as com situação emergencial, como a Lucille Fragoso de Albuquerque, serão as primeiras a terem uma avaliação. Elton afirma que nestes casos é preciso agir rapidamente, fazendo o projeto, comprando o material necessário e realizando a obra. O Coordenador considera possível estar tudo pronto ainda no primeiro semestre.

 

De acordo com o Deputado Estadual, Gilberto Capoani (MDB), quando a Escola Lucille Fragoso de Albuquerque foi construída, há 60 anos atrás, não havia ar condicIonado e computador, o que fez com que a demanda de energia tenha crescido atualmente. Com base nisso, o governo criou uma força tarefa. Dividiram o estado em 11 regiões e fizeram convênios com 8 universidades. Segundo o deputado, o estado destinou cerca de 40 milhões de reais para primeira etapa do programa e a maioria das escolas terão sua rede elétrica consertada até o final do ano. Este termo de cooperação foi assinado em 23 de janeiro.

 

Já o Presidente do Cpers, Orlando Marcelino, questionou a demora das autoridades criarem um projeto que resolva os transtornos da rede elétrica das escolas. De acordo com ele, o governo atual está há dez meses de terminar seu mandato, pouco tempo para que os problemas sejam resolvidos.