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Homenagem à Passo Fundo, nos versos de “Jayme Caetano Braun” – Agosto 1997

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
Imagem não disponível

Do mais nobre gauchismo

Palanque do nativismo

Encravado bem no fundo,

Povo heroico e legendário

Mil glórias do novo mundo

Brotaram dos teus potreiros

E o Rio Grande andou de cueiros

Nos campos de  Passo Fundo.

 

 

Posto avançado da pátria

Plantado em rincão distante

Velho pouso Bandeirante

Da antiga gleba reyna;

Destemerosa comuna

De incomparáveis façanhas

Que foi ponte, entre as campanhas

E as vanguardas de Laguna.

 

 

Acampamento de guerra

Nas primitivas conquistas

Onde os tropeiros paulistas

Cruzaram ditando leis,

Rincão – Vós bem o sabeis –

Nascido como a esperança

Para eternizar a lembrança

Do grande FAGUNDES DOS REIS.

 

 

Hoje ao pisar este solo

Onde já fiz parador,

Meu peito de pajador

Sente uma estranha pungência…

E a velha reminiscência

De outras horas, de outros dias,

Campechanas alegrias

Santificadas na ausência.

 

 

Por isso é que evocativo

Bombeando longe o passado

Vejo Pinheiro Machado

Sobre a coxilha surgindo

Sinto as armas retinindo

Nas encostas do Valinho

E a história abrindo caminho

Coá espada de GOMERCINDO.

 

 

Vejo Firmino de Paula

No bate-guampa das cargas,

Vejo Nascimento Vargas

Junto à vanguarda que avança

Evoco cargas de lança

Sobre esta mesma coxilha

Moldando a raça, caudilha

Que morre mas não se amansa.

 

 

E me perco nas origens

Desta paragem remota

Com Alexandre da Mota

Nos campos da ESTÂNCIA NOVA.

Que foi a primeira sova

Na conquista deste chão

Que, domando a evolução

Dia a dia se renova.

 

 

Ressurjo um Bernardo Paz

Na ESTÂNCIA DO PESSEGUEIRO,

Manoel das Neves, pioneiro,

Que a lembrança inda ressalta,

Nesta querência que exalta

A glória de vir de forja

Onde a glória moldaram São Borja

E a legendária Cruz alta.

 

 

Escuto o dialeto xucro

De caciques Missioneiros

Que a sombra desses pinheiros

Descansaram das andanças;

Vejo velhas ordenanças

De caudilhos e chefões

Passeando antigos brasões

Na ponta afiada das lanças.

Os filhos, Passo Fundo.

 

 

Vejo também a batina

Que nós tanto veneramos

Na estampa de PADRE RAMOS

Tropeiro de almas, vaqueano;

Diviso um Artur Caetano

Orgulho de nosso Manes,

Ao lado de Lucas Annes,

Potentando campechano.

 

 

Recordo heroicos soldados

E landários capitães,

Vejo PRESTES GUIMARÃES

Baralhador e cronista

Que, de conquista em conquista,

Foi até Governador

Eternizando o valor

Das Estirpe Federalista.

 

 

E mais longe, em TRINTA E CINCO,

Vejo n’ algun arrabalde

O valente Garibaldi

Com seu valente esquadrão bizarro

Nesta evocação campeira

Das lanceiras de Teixeira

E os tauras de Canabarro.

 

 

E muito mais longe ainda,

Neste interlúdio pampeano

Vejo o MATO CASTELHANO

Topete da natureza,

Legendária fortaleza

Que a Espanha impunha respeito

Da conquista portuguesa.

 

 

Revivo Noventa e Três,

Vinte e Três – Trinta depois

Rememoro Trinta e Dois

E tantas passagens mais

Que estas plagas imortais

Ainda cantam noite e dia

Na plangente sinfonia

Do vento nos pinherais.

 

 

Rio, da Várzea – Carazinho,

Umbu, Turvo e Pulador,

Ainda evocam no rumor

Corneteadas estridentes

Dos Thebas Impenitentes

Da Velha raça suprema

Que tiveram como lema

A glória de ser valentes.

 

 

E nessas glórias guerreiras

Fico a cismar absorto…

Três Passos – Pinheiro Torto,

Guamirim – Passo D’ Areia,

Foram pavios de candeia,

Luz Xucra de intrepidez

Que iluminou Noventa e Três

Desde a primeira peleia.

 

 

Sinto a forte emanação

Da seiva da raça,

E a própria História que passa

Berrando e depois se abrando;

E o Deus do pago que anda

Juntando as glórias da terra

Em o vento xucro da serra

Que chama LALAU MIRANDA.

 

 

Por isso, meu Passo Fundo,

Berço de heróis e caudilhos,

Não cantaria teus filhos

Se cantaria teus filhos

Se cantasse um ano inteiro

Mas, nesse verso campeiro,

Pecarei se não disser

De um ANTONINO XAVIER

de um ARAÚJO VERGUEIRO;

 

 

E ao saudar esta comuna

Pedaço do meu Rio Grande

Meu pensamento se expande

Ao velho Patrão do Mundo,

Pedindo, em rogo profundo,

Pra que nunca, um só momento

Afaste do pensamento

Os filhos, de Passo Fundo.

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