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Cidade

No Sem Segredo de 162 anos de Passo Fundo, ouvintes relembram histórias e curiosidades do município

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

Você sabia que a Avenida Brasil se chamou Rua do Comércio? Que a Praça Capitão Jovino era Praça Brasil, mas que todos conhecem como Praça Santa Terezinha?

A programação de aniversário dos 162 anos de Passo Fundo foi iniciada na última quinta-feira (31) com ato solene em homenagem a instituições da cidade, reabertura de museus e lançamento dos Festejos Farroupilhas.

São, ao todo, 50 atividades pensadas especialmente para este mês. Vão desde exposições com retratos das diferentes décadas de Passo Fundo a ações que mostram as potencialidades da Capital Nacional da Literatura hoje.

Por isso, o Sem Segredo perguntou o que os ouvintes sabiam sobre a história de Passo Fundo. Eles puderam relembrar histórias e curiosidades durante o programa comemorativo aos 162 anos do município.

Participaram no estúdio os mestrandos em história pela UPF e membros do Instituto Histórico de Passo Fundo, Alex Antônio Vanin e Djiovan Carvalho.

Durante o programa, os ouvintes relembraram diversas histórias e curiosidades de Passo Fundo. Alguns falaram sobre a Avenida Brasil que, no século 19, iniciava pela Zona Leste e todos os estabelecimentos comerciais do local tinham denominação de “casa” como, por exemplo, “Casa Nova”, “Casa Oriental”, “Casa São Carlos”, dentre tantos outros. Outros relembraram o tempo dos trilhos no Centro, do Protásio Alves até a Ponte Capitão Jovino, atual Avenida Brasil.

Ouvintes disseram também que, na década de 70, diversos bairros de Passo Fundo tinham nomes de índios, estados ou personalidades da época. Falaram ainda sobre a grande nevasca que atingiu o município nos anos 60 e ressaltaram o quanto Passo Fundo evoluiu como cidade durante os anos, fazendo com que cada vez mais seus moradores tenham uma melhor condição de vida.

O mestrando em história e membro do Instituto Histórico de Passo Fundo, Djiovan Carvalho, declarou que existem muitas coisas ainda a se saber sobre a história de Passo Fundo.

Falando das datas do município, Carvalho disse que é importante entender melhor o que cada uma delas representa. Segundo ele, o dia 7 de agosto marca a instalação da Câmara Municipal em Passo Fundo, no ano de 1957. Em 28 de janeiro deste mesmo ano, foi assinada a lei de criação do município, ou seja, desta data até agosto foram feitas eleições para compor a câmara.

De acordo com o mestrando em história, 8 de dezembro, dia que vem sendo amplamente discutido nos últimos tempos, é a data da Santa Padroeira do município, a Nossa Senhora da Conceição. Além destas datas, também temos 10 de abril, muitas vezes esquecida, mas que representa o dia que Passo Fundo foi elevada a condição de cidade no ano de 1891.

Djiovan Carvalho lembrou que, desde o início, Passo Fundo teve estrangeiros, fazendo com que até hoje o município não sofra processos de colonização. Um dos exemplos citados por ele, foi o alemão Adam Schell, que chegou a Passo Fundo nos primeiros anos da cidade, e, logo após ele, chegaram ainda italianos, espanhóis, franceses, argentinos e paraguaios, todos vindos no século 19.

Na época, Passo Fundo, com uma população muito menor que a atual, falava todas essas línguas e ainda teve o impulsionamento da Estrada de Ferro. Devido a isso, o município se mantém até hoje de forma diversificada e intensa. Carvalho ainda lembrou um fato curioso sobre a Avenida Brasil: ao contrário de outras cidades, não temos Câmara de Vereadores no entorno de uma praça, isso porque Passo Fundo está sempre na avenida.

O também mestrando em história e membro do Instituto Histórico de Passo Fundo, Alex Antônio Vanin, lembrou que Passo Fundo ganhou este nome por se instalar próximo do Rio Passo Fundo. Sobre a primeira povoação do município, Vanin declarou que há controvérsias sobre a história envolvendo Capitão Neves e a fundação da população passo-fundense.

De acordo com o mestrando em história, isso deve-se a questão entre os fundadores de Passo Fundo ter um impasse entre Capitão Neves e Joaquim Fagundes dos Reis, algo que vem se entrelaçando na história porque, muitas vezes, dizem que o fundador da cidade é um ou o outro.

Em 1957, quando houve o centenário de Passo Fundo, uma pesquisa histórica reconheceu Joaquim Fagundes dos Reis como patrono do município, fazendo com Capitão Neves ficasse em uma posição secundária. Porém, as discussões continuaram.

Segundo Vanin, poucas fontes comprovam quem foi o fundador do município. De acordo com ele, Capitão Neves cedeu suas terras para a cidade se desenvolver, mas, da perspectiva de atuação para a instalação de Passo Fundo, Joaquim Fagundes dos Reis foi quem se destacou. Devido a isso, o mestrando em história declarou que não dá para escolher um só como fundador, ainda pelo fato de terem sido contemporâneos.

Outro fato curioso ressaltado por Vanin foi que, olhando e pesquisando documentações da Câmara Municipal, foi comprovado que Capitão Neves não foi o único a doar terras para a criação de Passo Fundo. Segundo ele, um homem identificado como Manuel acabou sendo esquecido na história, devido ao fato que, por volta de 1884, a filha de Capitão Neves, Maria, ratificou e retificou documentalmente a doação feita pelo pai, fazendo com que a partir daquele momento ficasse só o nome de Capitão Neves como fundador do município.

Por fim, Alex Antônio Vanin ressaltou que Passo Fundo ainda tem muitas lacunas a serem preenchidas na sua história, isso porque fontes documentais estão perdidas e faltam provas do início da trajetória do município.